Cinema e sociedade – Tropa de Elite 2 pode influenciar a eleição presidencial?

Tropa de Elite 2″ pode influenciar a eleição? Neste momento, parece que só existem dois assuntos empolgantes no Brasil: eleições presidenciais e “Tropa de Elite 2″. Mas até que ponto um pode influenciar o outro? Será que “Tropa” pode ter interferência significativa no voto dos eleitores? E, se tiver, qual candidato será mais beneficiado? O filme é complexo e, portanto, as respostas também o são. Ou melhor, o filme se baseia em algumas dualidades muito simples que tornam as análises sobre um tanto mais complicadas. Há o policial bom e o mau, o jornalista bom e o mau, o político bom e o mau. A princípio, o herói mais impoluto de “Tropa 2″ é um político de esquerda, que denuncia a corrupção policial: Diogo Fraga (Irandhir Santos), completamente inspirado em Marcelo Freixo, que acaba de ser reeleito deputado estadual pelo Rio.

E, neste novo filme, o capitão Nascimento entra em crise e coloca em xeque a idéia de que o combate ao tráfico vai acabar com a violência – grosso modo, uma tese cara à direita. Isso significa, então, que o novo “Tropa” vai beneficiar a candidata do governo? Não. Porque tudo leva a crer que existe uma dissociação entre o que o filme diz e o que o público ouve. Já aconteceu no primeiro filme, em que o torturador de bandidos Nascimento foi adotado como herói por boa parte dos espectadores. O processo continua agora: apesar da falência de suas crenças, o personagem novamente é aplaudido como justiceiro, desta vez por espancar políticos.

Nascimento é o indivíduo que enfrenta o sistema. Alguém que pode ser eleito como representante da turma que é “contra tudo que está ”. Nesse sentido, o filme beneficiaria mais o candidato de oposição. No Twitter do cantor Léo Jaime, por exemplo, há indícios de que a suposição acima tem fundamento. Alguns de seus comentários: “Torço para que os eleitores de Dilma vejam Tropa de Elite e reflitam”. “Mandar o filme de Lula para o Oscar? O povo aplaude é outro filme, bando de puxa-sacos!” Um de seus seguidores reforçou: “Tropa de Elite 2 é dever cívico! Tinha que passar em rede nacional na véspera do segundo turno!!!” É um exemplo de reação oposicionista de uma pessoa célebre. Houve milhares de reações semelhantes vindas de anônimos. Não há teoria conspiratória: José Padilha não fez um filme para mudar o resultado da eleição, até porque decidiu lançá-lo depois do primeiro turno – e, até outro dia, ninguém sabia se haveria um segundo turno. Mas isso não quer dizer que candidatos e eleitores/espectadores não possam abraçar “Tropa 2″ como uma comprovação de seus discursos.

No debate do último domingo na Band, primeiro final de semana do filme em cartaz, a primeira pergunta de Serra a Dilma foi sobre segurança pública, sobre a falta de combate ao tráfico de drogas e armas, sobre a necessidade de criação de uma guarda nacional. Foi uma coincidência? Até a data da eleição, “Tropa 2″ provavelmente terá sido visto por mais de 10 milhões de brasileiros – entre o público dos cinemas e o dos DVDs piratas. Se algum candidato conseguir se sintonizar ao discurso do capitão Nascimento (ou ao que as pessoas entendem ser o discurso do capitão Nascimento), talvez a importância do filme numa eleição para presidente que promete ser muito disputada não seja desprezível.É curioso pensar que no começo do ano as pessoas se preocupavam com o peso político de “Lula, o Filho do Brasil” – ignorando o fato de que um fracasso artístico e comercial não poderia ter esse tipo de relevância.

Minha opinião: Nesse texto do Eduardo Calil, fica patente a necessidade de conferir “Tropa de Elite 2” e, para quem ainda não viu, dar uma olhada no “Tropa 1”. Importante de tudo é a influência de um ato cultural – um filme de sucesso – em campos que tradicionalmente abominam a cultura, como é certamente o caso dos políticos brasileiros em geral, salvas honrosas exceções.

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Sobre fnaxbuzios

Na Arte, faço de tudo um pouco: desenho, pinto, faço cerâmica. Cometo minhas poesias e contos. Sou tradutor de artigos científicos e livros da área médica. Fiz algumas exposições de cerâmica e desenhos no Rio de Janeiro, Niterói, Búzios, Rio das Ostras e São Paulo. Um livro publicado (em co-autoria): "O Ensino de Primeiro Grau". Artigos em jornais daqui de Búzios. Formado em Pedagogia da Arte e em Medicina Veterinária (por isso, dei muita aula de Educação Artística, sobretudo Cerâmica, e trabalhei bastante como veterinário de campo). Ex-professor universitário - na cadeira de Composição II de Arte na Faculdade de Arte do Centro Educacional de Niterói, e de Bioquímica e Fisiologia em algumas Faculdades do Rio de Janeiro. Mestrado (ainda não defendido) de Patologia Experimental pelo Departamento de Patologia Clínica do Hospital Universitário Antônio Pedro - Niterói / Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - Universidade de São Paulo. Vivo aqui no paraíso de Búzios há 12 anos... na Marina da Praia Rasa. Rubronegro doente. Amo o Rock Clássico. E o Carnaval. Um enorme orgulho profissional: ter sido Diretor Carnavalesco da Escola de Samba Combinados do Amor, a gloriosa agremiação do bairro do Caramujo, em Niterói... Meu bloco carnavalesco para sempre: "Filhos da Pauta", também de Niterói. Sou Cidadão Buziano diplomado. Sou membro da Academia de Letras e Artes Buziana. Meu projeto atual: estou envolvido na edição de meus contos e poesias em forma de e-book (antes da edição em papel...) e numa exposição de desenhos e guaches a ser realizada em breve no Rio de Janeiro e, aproveitando o embalo, em outra, cá em Búzios e em Cabo Frio (simultâneas), só de esculturas de barro. Hoje em dia, pertenço ao Conselho Editorial e escrevo de vez em quando no Jornal Primeira Hora, único diário de Búzios. E, vez por outra, vou conversar um pouco sobre cultura e otras cositas más no programa Bom Dia Búzios, na rádio Búzios-Cabo Frio AM1530, de 10 ao meio-dia, quartas e quintas. Frase para me definir: odeio incondicionalmente qualquer tipo de preconceito. Adoro minha praia Rasa, onde vivo, sou da noite, sou festeiro, e meu Triângulo das Bermudas é o eixo Rio - Niterói - Búzios. Meu maior vício é conversar (sempre! muito!...) com as pessoas - jogar conversa fora, filosofar, falar sobre cultura, rir... Objetivo maior: viver o momento presente, todos os momentos da minha vida. Profissão de fé: amizade acima de tudo! "Leia poesia... não dói, não engorda, e é de graça. Além disso, faz pensar e exercita os músculos cerebrais."
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