Thick as a brick – uma poesia

E finalmente, me preguntas…

…as coisas que ando fazendo (e tu,
louca lunática mulher loura fascinante,
e tu – que só trampas & deblateras?!!!…)
E te respondo na lata,
e me solto prerrasgado, e finjo
fugir das feras engravatadas
da televisão.

E então, ohlho no ohlho, me preguntas,
¿“devo comer uma maçã, ou umamão?”
E ato contínuo me antropofagas
e começas pelas fofas almofadas
dos dedinhos da mão de trabalho,
tu com esse teu ar pseudocasto,
com teu vestidinho azul plissado
cheio de botões e de miçangas…

Eu, eu executo mais uma vez
o meu destemido ato falho
de não me comprometer – não
declarar a minha paixão.
E me listas então, como sempre,
tudo o que não serei, puta loura,
louraça, e ¿porque me decrepito assim
(preguntas), de maneira tão veloz, meu filho,
tão arrasadora?…


De minha série "Duetos". Rita Lee Jones & Daminhão Experiença

Ah, minha lady, minha senhora,
que falta de tato a minha, que falta de visão!
É que aqui, nesse mundinho meu,
inexistem coisas diáfanas, o dar e pedir perdão,
desapareceram coisas até mais importantes, como
o comer e o beber – e se o ar já me falta,
só o essencial sobrenada:
a minha paixão e um cravo na lapela…

Vê que inda ontem eu abria a voz e a goela,
e não era pra esbravejar contra o meu destino…
(Ah, meu tempo de brincar com as mulheres,
que época, aquella… Inda lembro,
anteontem demanhãzinha tomando café
preto pão francês ovos fritos com pouco sal:

“Três mocinhas elegantes, três mocinhas elegantes,
cobra, jacaré, elefante” e “a bunda da velha,
amarelinha” – como eu cantava elas todas,
e como nelas todas eu pressentia já então
a tua farta cabeleira…)

Poisé, loura quasi-ex-minha,
quero te declarar de peito aberto –
Vou de vento em popa, eu e meu castelo,
pr’enfrentar a tempestade.
Pensando na morte & na mortadela,
doido pra cometer algum desatino, algo
muito easy rider, algo famigerado,
desatento dos celacantos e das sereias,
eu & meu mundinho…

Pronto, cara mia, pra procela
e pro irreparável

Só que ultimamente virei dromedário, ou
nelore branco e pávido, ou uma alimária,
bovino nédio, descascado e concreto –
um cara de cabeça dura como um tijolo
(talvez não tão opaco, se me permites),
ouvindo ainda os guitar heroes
d’outrora, veja só!

Mas sempre e ainda seco & ávido
por te comer, querida,
todos os dias!, todas as horas!,
nem que seja na minha farta imaginação…

É que preciso muito de ti, querida,
Nem que seja pra dar um motivo cabal
do praquê essa merda de vida,
do porquê esse imenso saco,
meu anjo, minha vida,
nem que seja….

…pra rezar contigo
um amen final

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Sobre fnaxbuzios

Na Arte, faço de tudo um pouco: desenho, pinto, faço cerâmica. Cometo minhas poesias e contos. Sou tradutor de artigos científicos e livros da área médica. Fiz algumas exposições de cerâmica e desenhos no Rio de Janeiro, Niterói, Búzios, Rio das Ostras e São Paulo. Um livro publicado (em co-autoria): "O Ensino de Primeiro Grau". Artigos em jornais daqui de Búzios. Formado em Pedagogia da Arte e em Medicina Veterinária (por isso, dei muita aula de Educação Artística, sobretudo Cerâmica, e trabalhei bastante como veterinário de campo). Ex-professor universitário - na cadeira de Composição II de Arte na Faculdade de Arte do Centro Educacional de Niterói, e de Bioquímica e Fisiologia em algumas Faculdades do Rio de Janeiro. Mestrado (ainda não defendido) de Patologia Experimental pelo Departamento de Patologia Clínica do Hospital Universitário Antônio Pedro - Niterói / Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - Universidade de São Paulo. Vivo aqui no paraíso de Búzios há 12 anos... na Marina da Praia Rasa. Rubronegro doente. Amo o Rock Clássico. E o Carnaval. Um enorme orgulho profissional: ter sido Diretor Carnavalesco da Escola de Samba Combinados do Amor, a gloriosa agremiação do bairro do Caramujo, em Niterói... Meu bloco carnavalesco para sempre: "Filhos da Pauta", também de Niterói. Sou Cidadão Buziano diplomado. Sou membro da Academia de Letras e Artes Buziana. Meu projeto atual: estou envolvido na edição de meus contos e poesias em forma de e-book (antes da edição em papel...) e numa exposição de desenhos e guaches a ser realizada em breve no Rio de Janeiro e, aproveitando o embalo, em outra, cá em Búzios e em Cabo Frio (simultâneas), só de esculturas de barro. Hoje em dia, pertenço ao Conselho Editorial e escrevo de vez em quando no Jornal Primeira Hora, único diário de Búzios. E, vez por outra, vou conversar um pouco sobre cultura e otras cositas más no programa Bom Dia Búzios, na rádio Búzios-Cabo Frio AM1530, de 10 ao meio-dia, quartas e quintas. Frase para me definir: odeio incondicionalmente qualquer tipo de preconceito. Adoro minha praia Rasa, onde vivo, sou da noite, sou festeiro, e meu Triângulo das Bermudas é o eixo Rio - Niterói - Búzios. Meu maior vício é conversar (sempre! muito!...) com as pessoas - jogar conversa fora, filosofar, falar sobre cultura, rir... Objetivo maior: viver o momento presente, todos os momentos da minha vida. Profissão de fé: amizade acima de tudo! "Leia poesia... não dói, não engorda, e é de graça. Além disso, faz pensar e exercita os músculos cerebrais."
Esse post foi publicado em Malazartes... a minha produção. Bookmark o link permanente.

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